Tratamento cirurgico de fratura do tornozelo com auxilio de artroscopia
TEMA:
Pé e Tornozelo
FORMATO DE APRESENTAÇÃO:
Pôster eletrônico (e-poster)
PALAVRAS-CHAVE:
Fratura, Tornozelo, Artroscopia
INTRODUÇÃO: Historicamente, o padrão ouro para o tratamento das fraturas do tornozelo é a redução anatômica aberta, com restauração da congruência articular, associada a uma osteossíntese estável. Porém, alguns pacientes não apresentam resultados satisfatórios mesmo com o tratamento preconizado, chegando a representar de 40 a 60% de resultados ruins em médio a longo prazo. Dentre as causas de falha no sucesso do tratamento estão a consolidação viciosa, lesão da sindesmose e as lesões ligamentares ou condrais associadas. A artroscopia surge como ferramenta alternativa ou de auxilio a abordagem tradicional aberta, permitindo identificar as lesões intra-articulares associadas, a melhor visualização dos parâmetros de redução articular, verificar a presença de instabilidade ligamentar, a existência de lesão da sindesmose e lesões condrais, bem como trata-las adequadamente.OBJETIVO: demonstrar a importância da artroscopia no tratamento das fraturas do tornozelo, auxiliando na identificação de lesões associadas, bem como, na terapêutica adequada, diminuindo assim a chance de complicações relacionadas a esta patologia.MATERIAIS E MÉTODOS: Coorte retrospectiva de pacientes consecutivos que sofreram fratura do tornozelo e foram submetidos a tratamento cirúrgico assistido por artroscopia, entre 2015 e 2022. As informações dos casos foram obtidas por meio da análise de dados clínicos, radiológicos e registros cirúrgicos documentados nos prontuários dos pacientes selecionados. As variáveis qualitativas foram representadas por frequências absolutas e relativas. A avaliação da associação entre as variáveis qualitativas foi feita por meio do teste exato de Fisher. As análises foram realizadas no programa R versão 4.1.2 e foi considerado significativo p<0,05.RESULTADOS: A amostra foi composta por 60 pacientes. Fraturas do maléolo lateral ocorreram em 49 casos (81,7%), do maléolo medial em 21 (35,0%) e do maléolo posterior em 9 casos (15,0%). As lesões de deltoide foram notificadas em 21 casos (35,0%), sendo que em 3 deles (14,3%) foi feito o reparo aberto e em 18 (85,7%) reparo através da técnica de Brostrom medial artroscópico. Lesões de sindesmose foram relatadas em 35 pacientes (58,3%), em 20 deles (57,1%) foi utilizado o reparo flexível e em 15 (42,9%) o parafuso. Lesões de cartilagem foram observadas em 11 casos (18,3%). As proporções de lesão de cartilagem não diferiram entre as diferentes classificações de fratura do tornozelo. A ocorrência de lesão de deltoide e sindesmose não se associou às lesões de cartilagem.CONCLUSÃO: A associação da artroscopia ao tratamento cirúrgico das fraturas do tornozelo permite identificar e tratar corretamente as lesões associadas latentes que, por muitas vezes, passam sem o diagnóstico e a condução mais apropriada, com baixo índice de complicações. Dessa forma, é possível obter melhores resultados no tratamento cirúrgico, com menor índice de dor residual sem um aumento significativo no tempo total do procedimento.